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Brasil não esquece assassinato de Eliza Samúdio e goleiro Bruno é obrigado a rescindir contrato com time da terceira divisão

Em 2010, seus salários eram de R$ 150 mil mensais. Seu compromisso era de quatro anos com o Flamengo. As informações são do R7 Esporte

Tinha contrato individual com a fabricante de material esportivo Olimpikus, do grupo Vulcabrás. Luvas e camisas eram personalizadas, feitas com seu nome, e rendiam mais R$ 50 mil mensais.

Milan e Zenit duelavam pela sua contratação. Mas ele havia decidido ir para a Itália, substituir Dida. Havia até um pré-contrato apalavrado, especificando salário de R$ 500 mil mensais.

Goleiro campeão brasileiro de 2009, seria testado pela Seleção Brasileira, depois do fracasso na Copa do Mundo de 2010. Sua carreira e a vida estavam encaminhados, e cercadas por muito dinheiro, mordomia, respeito como atleta.

Até que o Brasil soube do assassinato de Eliza Samudio, mãe de seu filho.Bruno assumiu a autoria intelectual da morte e do desaparecimento do corpo.

Provas e depoimentos de outros envolvidos garantiram a condenação de 22 anos e três meses de prisão, em 2013.

Quatro anos depois, seus advogados conseguiram uma liminar para que pudesse voltar a jogar futebol. Fez cinco partidas pelo Boa Esporte, em Ituiutaba. A repercussão negativa foi imensa, internacional. A liminar foi cassada e ele voltou para a cadeia.

Os advogados insistiram e Bruno conseguiu o regime semiaberto.  Mas ele tem a obrigação de trabalhar.

A dois meses de completar 35 anos, longe da rotina rígida do futebol profissional há nove anos, e marcado pelo estigma de assassino, os clubes grandes o rejeitam.

O pequeno Boa Esporte perdeu todos seus patrocinador por haver contratado Bruno em 2017.

Em 2019, o goleiro anunciou que voltaria ao futebol pelo minúsculo Poços de Caldas. Clube da Terceira Divisão mineira.

Embora cumpra pena em Varginha, seus advogados anunciaram que a justiça o liberou para jogar em Poços de Caldas, cidade distante 160 quilômetros. O treinamento seria feito em Varginha e os jogos em Poços de Caldas. 

Só que o Poços de Caldas é um clube quase amador. Estava desativado desde 2018, quando o empresário Paulo César da Silva assumiu a equipe. A assessoria de imprensa garante que ele gastou R$ 380 mil em dívidas e jogadores. Na cidade há a desconfiança que a quantia foi supervalorizada.

"Fui catador de batatas, fui boia-fria e resolvi vir para Poços de Caldas onde comecei a vender bonés, óculos, carteiras, cintos pelas ruas da cidade.

"Comecei a fazer meus negócios, Deus começou a me abençoar e conheci pessoas certas na hora certa. Não sou rico, mas tenho um bom padrão de vida. Sei administrar e é assim que vou administrar o Vulcão. Será uma empresa de sucesso", disse o empresário ao jornal Mantiqueira, de Poços de Caldas.

O plano de Paulo César era simples, contratar Bruno, chamar a atenção da imprensa nacional, para depois vendê-lo a um clube grande.  Com a divulgação de Poços de Caldas, usar a opinião pública para ter o apoio financeiro da prefeitura da cidade. Com a assumida ameaça de levar o clube para outro município.

Só que tudo deu errado. 

Filho de Bruno com Eliza está com medo do pai. E quer trocar até de nome

Paulo César Silva não levou em consideração a profunda rejeição da sociedade a Bruno. O assassinato de Eliza Samúdio ainda tem um peso enorme. O dinheiro não chegou de lugar algum.

Nem de patrocinadores e muito menos da prefeitura de Poços de Caldas ou de qualquer cidade vizinha.

O depósito de R$ 60 mil para que o clube disputasse a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro de 2020 não foi depositado. Assim como o salário de R$ 10 mil de Bruno. Nem o material esportivo, luvas, chuteiras, uniforme de goleiro chegaram em Varginha.

Bruno participou de um amistoso contra o Independente Juruaia, no estádio Bandolão, em Poços de Caldas, foi um fracasso. Apenas 200 pessoas aceitaram pagar R$ 10,00 para ver o jogo. A renda foi de R$ 2 mil.

Ele atuou por 45 minutos e teve uma contusão muscular, provavelmente pelo longo período de inatividade.

E se recusou a atuar no sábado de outro amistoso, contra a amadora Ponte Preta de Poços de Caldas.

O jogador acionou seus advogados e seu contrato, que valeria até janeiro de 2020, foi rescindido.

Bruno está desempregado. Nas redes sociais, a notícia foi comemorada.

A rejeição à volta da carreira de Bruno segue imensa.

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Antenor Ferreira

Jornalista chapadinhense, 33 anos, apresentador de rádio e TV, e redator dessa página. Obrigado por sua visita! Siga-nos no insta: @antenor.oficial

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